As coisas eternas são infinitas: não possuem começo nem fim. Os números, por exemplo, revelam essa lógica. Antes do Um, o Nada existia em si mesmo. Do Nada, porém, emergiu o Um. Da sombra do Um surgiu o Dois; da sobreposição da sombra do Um sobre o Dois surgiu o Três; e, da mesma forma, da sobreposição do Um sobre o Três surgiu o Quatro. O Quatro é a base de sustentação, e assim formou-se o mundo material, pelas sobreposições entre sombra e luz.
O Um representa o Espírito; o Dois, a dualidade; o Três, a Tri-Unidade, ou seja, a Trindade, o Triângulo Primordial. Quatro triângulos equiláteros formam um quadrado; seis triângulos formam um cubo. Dessa forma, todo o mundo fenomenal veio a se manifestar pela interação entre sombras e luz.
Citações Acadêmicas
Como afirma Platão em A República, “a matemática é a linguagem pela qual o universo se expressa” (Platão, 380 a.C.). Essa visão é reforçada por Pitágoras, que considerava os números como a essência de todas as coisas (Kirk & Raven, 1957).
A relação entre números e formas geométricas também foi explorada por Euclides em Os Elementos, obra fundamental para compreender como a sobreposição de figuras constrói o mundo material (Euclides, 300 a.C.).
Referências Bibliográficas
- Platão. A República. 380 a.C.
- Kirk, G. S.; Raven, J. E. The Presocratic Philosophers. Cambridge University Press, 1957.
- Euclides. Os Elementos. 300 a.C.
- Capra, Fritjof. O Tao da Física. Cultrix, 1975.