Páscoa

O que é a páscoa? A palavra “páscoa” deriva do latim pascha, que por sua vez tem origem na palavra hebraica pessach (פסח), que significa “passagem”. Conforme o versículo 23 do livro do Êxodo: “Porque Yahveh passará para ferir os egípcios”. Mais que uma palavra, a páscoa é um rito, destinado a ser lembrado pelas gerações dos israelitas para sempre.

E o que é um rito? O dicionário Priberam define como: “Ordem prescrita das cerimônias que se praticam numa religião”. Já o Michaelis define como: “Conjunto de cerimônias e fórmulas de uma religião e de tudo quanto se refere ao seu culto ou liturgia. Cerimonial próprio de qualquer culto. Culto, religião, seita. Ordem ou conjunto de quaisquer cerimônias”.

A Páscoa dos Judeus

A páscoa é um rito judaico. Um rito que se inicia com o sacrifício, simbolizado pelo sangue dos cordeiros ou cabritos, pães ázimos e ervas amargas; pela santidade, representada pela ausência de fermento e de atividades laborais; e pela purificação, simbolizada pelo fogo.

O rito foi pactuado com sangue e tinha por finalidade mostrar aos egípcios o poder de Yahveh. O versículo 13 afirma: “O sangue, porém, será para vós um sinal”, indicando o pacto realizado entre Yahveh e seus seguidores.

Esse pacto representava o compromisso dos israelitas de adorar e seguir Yahveh, e o compromisso de Yahveh de fazer deste povo um vencedor. No contexto da narrativa, significava ferir os primogênitos do Egito. Os judeus, oprimidos por 430 anos, buscaram no pacto espiritual uma resposta ao sofrimento, invocando o “Exterminador” mencionado no capítulo 12 do Êxodo.

Interessante notar que, por vivermos em uma cultura predominantemente judaico-cristã, não estranhamos a narrativa bíblica. Entendemos que os egípcios eram maus e mereciam a punição. Contudo, é difícil aceitar a ideia de uma entidade que se proclama Deus absoluto e faz distinções entre povos. Se Yahveh fosse realmente Deus, possuiria amor incondicional.

A semelhança entre os ritos judaicos e os ritos afro-brasileiros, como os do Candomblé e da Umbanda, não é mera coincidência: ambos se baseiam em realidades espirituais semelhantes. A opressão vivida pelos judeus os levou a criar ou invocar uma entidade destruidora como resposta ao sofrimento. Toda ação tem sua reação, e a colheita é proporcional à semente plantada. Assim, a morte dos primogênitos egípcios foi a resposta ao longo período de escravidão.

Concluindo, a páscoa judaica (pessach) é um pacto de sangue firmado entre os judeus e Yahveh, para que sempre lembrassem que foi Ele quem os tirou da terra do Egito. Seja fato histórico, símbolo moral ou invenção, o importante é extrair lições aplicáveis à vida.

A Páscoa dos Cristãos

O cristianismo, que até os anos 30 ou 40 da era cristã era apenas um movimento dissidente judaico, encontrou em Paulo de Tarso os ideais necessários para transformar-se em religião. Paulo deu ao cristianismo um corpo teológico convincente, extraído das antigas escrituras judaicas, causando desconforto entre os judeus.

Na primeira carta aos Coríntios (5,7), Paulo escreve: “Pois nossa Páscoa, Cristo, foi imolado”. No evangelho de Mateus também se lê: “Sabeis que daqui a dois dias é a páscoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado”. Para o cristianismo, a páscoa significa vida nova: a passagem da morte de Cristo para a vida através da ressurreição. Cristo, por meio de sua morte, trouxe salvação a todos que nele creem, confessam seus pecados e se arrependem.

Atualmente, com pequenas variações entre doutrinas, a teologia cristã explica e celebra a páscoa todos os anos como símbolo de salvação e vida nova. A páscoa é antiga e celebrada por diferentes povos e religiões, mas só cumpre seu propósito quando vivida em sua plenitude. Caso contrário, torna-se apenas um feriado comum.

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